Artigos com a tag ‘overdubbing’

O “pulo do gato” para a sua banda.

Publicado em: abril 5th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo publico por Sergio Filho no site Overdubbing:

Às vezes, me perguntam sobre a coerência de uma banda de rock (ou qualquer outro estilo) ao vivo. Coisas do tipo “como conseguir deixar o som ‘redondo’?”. Por isso, trago nesse artigo uma abordagem a que me dei o direito de chamá-la “o pulo do gato“.

Quem já está nessa vida de banda há algum tempo sabe o quanto é difícil encontrar os integrantes certos. Aqueles caras (ou, mais comum hoje em dia, meninas) que fazem a diferença no som. Além disso, têm que ser bons de convivência e pensar na mesma direção. Ora, tanta gente passa a vida inteira dando com a cara na parede por causa de seus relacionamentos a dois (não só amorosos, como também entre pais e filhos, patrão e empregado, etc.), o que dirá em um relacionamento a quatro/cinco!? Muitas bandas famosas, inclusive, já sofreram desse mal (quem nunca viu, assista Some Kind of Monster, do Metallica).

Indiscutivelmente, leva-se tempo para se conhecer bem o indivíduo que está pegando a estrada com você, mas isso não é motivo para neuroses do tipo “não confio em ninguém”. É apenas uma questão de tranquilidade e transparência nas suas relações.

Mas, voltando ao âmbito pragmático, onde quero chegar é nos ensaios. Tocar as mesmas músicas por longos períodos (às vezes muito longos mesmo) pode ser chato. Você não vê mais para onde aquilo pode evoluir. Mas é aí que mora o “pulo do gato“. Existem basicamente três estágios no aprendizado musical em banda (isso eu digo por experiência, e não por nenhum estudo científico sobre cognição cerebral). O primeiro é aquele em que você precisa tocar prestando muita atenção naquilo que está fazendo. Esse é o ponto em que se faz o arranjo da música, se for própria, ou se “tira” o cover. Aqui, você ainda não está familiarizado com a parte técnica da execução da música. Se você é guitarrista, erra um acorde, esquece uma parte da música, “capa” um solo. Se você é baterista, esquece um bumbo aqui, outro ali, sai do tempo um pouquinho. Se você é baixista, provavelmente vai se enrolar naquele “groove” mais safado. Se você canta, fatalmente vai esquecer a letra.

Depois de muito ensaiar, todo mundo começa a tocar direito a música. Este é o segundo estágio. Aqui, todo mundo acha que já está bom. Nunca parece melhorar muito mais. Você já até se balança tocando. E aqui, muita gente para de buscar a evolução. Acontece que não basta dominar tecnicamente aquilo que se toca. É preciso fazer parte daquilo, incorporar a música. Mesmo se você é um sideman, e nem curte tanto aquilo que está tocando, é preciso estar 100% presente e íntegro. Afinal, se você é músico, deve ter escolhido essa profissão porque ama, certo? Se quisesse ganhar dinheiro, é fato que não estaria buscando isso nesta área…

O terceiro estágio é aquele em que a música passa por dentro de você. Você a respira e transpira. Você não vai mais errar nenhum acorde porque simplesmente nem vai pensar qual acorde está tocando. Ele simplesmente aparece montado no braço da guitarra na hora certa. É aí que você alcançou o “pulo do gato“. Uma boa maneira de comprovar isso é quando você se pega há muito tempo sem tocar aquela música e, no entanto, na hora do ensaio, sai tudo perfeitinho. Não é lindo?

A dica é: mantenha-se presente naquilo que você faz (isso se estende pra tudo na sua vida, ok?). Aproveite aquele exato segundo em que você toca aquela nota. Faça mesmo como se não houvesse nada depois nem tivesse havido nada antes, porque de fato não há. O passado já passou, o futuro nem chegou. Nem um segundo antes, nem um segundo depois. Somente no agora! Ao alcançar esse estágio, você vai perceber como misteriosamente a sua banda soa verdadeira, “redonda” e com toda a energia necessária para tocar qualquer um que esteja na plateia!

Fonte original aqui.

Eu ligo o rádio e blá, blá…

Publicado em: fevereiro 7th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo publicado por mim na minha coluna “Mídias musicais” do site Overdubbing:

Recentemente, andou circulando pela internet a participação do cantor e compositor Lobão em um programa da rádio Transamérica de São Paulo. A participação dele acabou se tornando um excelente debate acerca do papel dos veículos tradicionais de comunicação, como o rádio e a TV, para a cadeia produtiva da música nos dias de hoje. Muito tem se falado que com o advento da internet, que deu suporte ao surgimento de novas tecnologias, incluindo as rádios digitais e plataformas como YouTube e MySpace, tais veículos teriam perdido a importância que já possuíram no passado.

Lobão defende que o rádio ainda é de grande importância para o desenvolvimento de carreiras artísticas no Brasil e que esse veículo continua sendo, muitas vezes, restrito a artistas que possuem o suporte de agentes do setor que pagam para executar suas músicas. Por mais que a internet tenha gerado benefícios no que tangem a democratização proporcionada pelos veículos digitais de divulgação, o rádio e a TV continuam sendo utilizados para estimular o consumo de um segmento artístico financiado por interesses coorporativos.

O acesso facilitado aos meios de produção e divulgação musical deu oportunidade para aqueles que têm interesse em se inserir no mercado musical, porém, para desenvolver uma carreira profissional no Brasil ainda é necessário ter acesso aos meios tradicionais de comunicação. Com base nisso, Lobão acrescenta que tais veículos atualmente encontram-se interligados, defendendo que:  “… a TV aclama o que o radio divulga que foi farejado na internet. São três estágios, e todos são interligados.”

Além disso, ele lamenta o fato de não existir nos dias de hoje uma estação de rádio com o perfil da extinta Rádio Fluminense, que executava novos artistas nos horários de maior audiência e foi responsável por lançar uma geração de grandes talentos da música popular brasileira nos anos 80. Quando se trata do acesso restrito aos tradicionais veículos de comunicação, o discurso de Lobão bate com o abordado por Mauro Dias em seu artigo “Sobre o Jabá”:

“Não há questão moral a ser considerada. O negócio é dinheiro. Um bom compositor, cantor, instrumentista, vai ter de se submeter a determinados imperativos (ditados pelos que pagam a execução), ou fica de fora. Quem não entrar no esquema não aparece. Quem quer entrar no sistema precisa ter muito dinheiro – precisa pagar mais ainda, porque as “vagas” são limitadas. Se entra um, sai outro. (…) Só quem entra no esquema, claro, é a grande indústria, que tem o dinheiro – e que inventou o esquema, afinal. (…) Ou seja, estamos falando de economia, de lobbies, de pressões, não de música. Enquanto isso, o ouvinte vai acostumando o ouvido com as barbaridades criadas nos laboratórios de marketing das companhias de disco e perde a capacidade de comparar. E os criadores… Bem, os criadores, os artistas verdadeiros, que existem, quase ninguém sabe, vão resistindo o quanto podem. Um dia, desistem – os novos Chicos e Caetanos, as novas Elis Reginas e Nanas Caymmis, os novos Jobins e Fátimas Guedes um dia desistirão. Precisam comer, vestir-se, sustentar filhos. A ganância dos executivos está promovendo um massacre da cultura brasileira que talvez não tenha similar na história da humanidade. Estão matando de fome o que temos de mais rico – nossa música. Matando de fome a inteligência e a sensibilidade.”

(Disponível em: http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=129&titulo=Sobre_o_Jaba)

Vale ressaltar que o referido artigo foi originalmente publicado no jornal Estado de São Paulo, em 1999, ou seja, há mais de dez anos e vemos que, apesar disso, pouca coisa mudou. Ainda sobre o papel do rádio nos dias de hoje, alguns artistas reclamam que tais veículos também são responsáveis por ditar a forma como suas composições devem ser adaptadas para serem executadas. O cantor e compositor Jay Vaquer comentou o assunto em entrevista concedida a mim para meu livro Música e tecnologia: um novo tempo, apesar dos perigos, defendendo  que: “Eles (agentes das rádios) são gênios da lâmpada criando loucuras. Como pode acontecer uma renovação se as condições de acesso estão vinculadas ao poderio econômico por trás das carreiras?”. Já o cantor Leoni, também em entrevista cedida a mim para o livro, ressalta que “…ele (o rádio) ainda é importante porque o mercado ainda não se adaptou a essa nova fase.

Baseada nessa nova fase do meio musical, marcada pela utilização da internet como um eficiente meio de divulgação, a produtora Liana Brauer, que trabalha na LIGA Entretenimento, responsável por artistas como Lulu Santos, Preta Gil e a banda Scracho, diz que grande parte das bandas que conseguem atualmente desenvolver um trabalho profissional a partir da utilização da internet opta por investir suas receitas obtidas com os shows em divulgação nos veículos tradicionais de comunicação. Ou seja, usa-se a internet para se divulgar um trabalho, e a receita gerada com shows é voltada para pagar a divulgação no rádio (jabá) e TV. Alguma dúvida sobre a importância de tais veículos nos dias de hoje?

Com isso, vemos que apesar de toda a evolução tecnológica, que gerou grandes alterações na sociedade e consequentemente no meio musical, nem tudo mudou. Por mais que se fale da democratização da internet, os interesses coorporativos continuam ditando as regras do mercado e percebe-se que nos últimos anos pouco se evoluiu nesse campo. É bom frisar que estamos em período de mudança de gestão presidencial e registro aqui a importância de se debater tais condutas que, a meu ver, são criminosas e ferem um dos principais valores da identidade nacional: a música brasileira. Fica aqui meu apelo para Ana de Hollanda, atual ministra da Cultura, para que se discutam tais questões. Ou seria caso para o Ministério da Justiça?

Resultados concretos em cenário de “caos” fonográfico

Publicado em: janeiro 10th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Nessa semana publiquei esse artigo na minha coluna “Mídias musicais” do site Overdubbing:

Foi-se a primeira década do século XXI, e percebe-se que o mercado musical ainda busca alternativas para se adaptar às mudanças surgidas desde o final do século passado, responsáveis pelo declínio de um homogêneo modelo de negócio consolidado pela indústria fonográfica. Se até em um passado recente era bastante clara a forma como a música era escoada como bem de consumo para um mercado consumidor definido, o que se vê ao início de 2011 é a sensação de instabilidade ainda calcada na busca de modelos substitutos que possam solucionar muitos dos obstáculos encontrados em virtude das mudanças vistas.

Nos últimos anos, observou-se o surgimento de algumas iniciativas inovadoras que buscam criar novas alternativas para o desenvolvimento da cadeia produtiva da música. Uma banda que tem obtido resultados concretos com a implementação de estratégias de trabalho que utilizam como base as tecnologias disponíveis é a banda carioca Forfun. Esse conjunto, que vem conquistando cada vez mais seguidores pelo Brasil, realiza sua divulgação exclusivamente na internet e possui sua própria estrutura de trabalho, formada por profissionais de diferentes áreas, como especialistas em marketing digital, técnicos, produtores e o empresário, Marcos Sketch.

Danilo Cutrim, vocalista da banda, em entrevista pessoal para meu livro Música e tecnologia: um novo tempo, apesar dos perigos, comentou sua estrutura de trabalho: “Montamos uma gravadora que é nossa, com outros padrões financeiros e com outras crenças também”. É importante frisar que a receita obtida com as apresentações da banda viabiliza essa estrutura de trabalho: “A gente faz um fundo e dele sai tudo: assessoria de imprensa, assessoria de TV, etc”.

Atualmente, enquanto a Forfun prepara o lançamento de seu novo disco, seu empresário Marcos Sketch realizou um balanço dos resultados obtidos com o último disco da banda, o Polisenso, disponibilizado para download gratuito no site oficial. Ele defende que “por mais que soubesse que o disco fosse parar de qualquer forma em mp3 na internet, acho que a oficialização do download (gratuito) permitiu uma disseminação mais rápida e ainda maior. O alcance que o disco teve com o ‘download oficializado’ fez o som da banda chegar a pessoas e lugares que não chegaria se fosse feito de qualquer outra forma”.

Sketch relatou que no período de dois anos foram contabilizados 700 mil downloads do disco inteiro, baixado diretamente no site oficial da banda, e acredita que, além desses downloads oficiais, por meio da divulgação boca a boca feita pelos fãs e das redes de compartilhamento, o álbum tenha chegado à mão de mais de um milhão de ouvintes. E ressaltou, ainda, que nesses dois anos de trabalho com o Polisenso, a banda obteve a maior receita de toda sua carreira, fez a maior quantidade de shows/ano e tocou em dezenas de cidades por onde a banda nunca havia tocado.

Com isso, podemos ver que já existem iniciativas bem sucedidas no Brasil. Acredito que o nicho do mercado musical jovem, também chamado de teen, esteja ajudando a reescrever as diretrizes do mercado musical brasileiro, pois vemos que estratégias similares às adotadas pela Forfun vêm atingindo resultados bastante promissores.

Uma análise da música pelas novas tecnologias

Publicado em: dezembro 8th, 2010 por Leo Morel | Nenhum comentário

Foi publicada recentemente essa matéria no site Overdubbing:

Uma análise da música pelas novas tecnologias

É com grande satisfação e honra que tive a chance de ler o livro Música e Tecnologia: um novo tempo, apesar dos perigos (à esquerda), do percussionista e baterista Leo Morel, lançado pela editora Azougue. Cabendo literalmente no bolso, a qualidade do conteúdo desse material é diretamente proporcional à riqueza das entrevistas contidas nele. Na verdade, segundo explica Morel, esse trabalho surgiu a partir da sua tese de pós-graduação em Gestão Cultural pela Fundação Getúlio Vargas – FGV.

O livro descreve de maneira bem interessante, diga-se de passagem, como a inovação tecnológica impactou o mercado musical na visão de um eclético time de artistas, incluindo nomes que vão desde Geraldo Azevedo, Leoni (que escreve a orelha do livro), aos integrantes da banda Forfun, Pedro Luis, Jay Vaquer, entre outros. Além disso, o autor conversou com profissionais que fazem parte da imprensa especializada, como os jornalistas Sergio Cabral e Rodrigo Sabatinelli.

“Foi muito importante que o Leo tenha falado com representantes de toda a cadeia produtiva da música para mostrar como os diferentes setores se posicionam diante da destruição criadora da internet… Se alguém hoje disser que sabe qual é o futuro da música nos próximos 10 anos, pode colocar uma camisa de força e internar”, destaca Leoni na orelha do livro.

Ou seja, leitura indispensável para os que querem refletir um pouco mais sobre o presente e o futuro da música. Para mais informações, e onde comprar a obra, acesse o endereço www.musicaetecnologia.net.

Matéria na íntegra está disponível aqui.