Artigos com a tag ‘musica’

Escolas que já incluem música adotam estratégias diferentes

Publicado em: abril 25th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo de Cinthia Rodrigues e Luciana Cristo publicado no iG São Paulo e Paraná | 23/04/2011 07:00

Rede estadual do Paraná fez concursos para contratar profissionais capacitados, enquanto São Paulo forma professores de arte.

Apesar dos três anos de prazo para a entrada em vigor da obrigatoriedade do ensino de música, a maioria das redes ainda não fez adaptações. Gestores reclamavam da falta de diretrizes que devem ser anunciadas nas próximas semanas após reunião de representantes do Ministério da Educação com especialistas no assunto.

O Paraná é uma das exceções. Por lá o ensino de música ocorre como conteúdo incluído na disciplina de artes, que engloba também artes visuais, teatro e dança. O departamento de Educação Básica orienta o ensino da música com a formação de uma massa crítica e o contato com melodias e harmonias de diferentes culturas. Para o ensino médio, existe o Livro Didático Público de Arte com cinco capítulos referentes ao ensino de música, além do caderno de musicalização recebido pelos alunos.

Foto: Agência de Notícias do Paraná

Alunos do colégio José Guimarães sob regência da professora Silviane Stockler

No Colégio Estadual Professor José Guimarães, em Curitiba, a professora de Artes com formação em música  de Lima dá continuidade a um trabalho iniciado há dois anos que inclui teoria, marcação rítmica e à contextualização histórico-política de determinadas canções. Os alunos se sentem à vontade tocando músicas populares brasileiras nos mais variados instrumentos. “O principal é ensinar a organização do som. O objetivo não é formar um músico, mas sim que os estudantes saibam apreciar e entender. É abrir o interesse para a área musical”, explica a professora.

Os olhares curiosos e as perguntas demonstram o interesse de estudantes. Para os jovens que já tocavam algum instrumento, a empolgação é ainda maior, como no caso de Fernando Lesniowski e Brunna Karolina de Oliveira Guimarães, ambos de 16 anos. “Eu curto rock, mas a professora também já trouxe baião e samba, por exemplo”, conta Fernando. O aprendizado também é destacado por Marcelo Augusto, de 19 anos. “Já tinha contato com outros instrumentos, mas tocava apenas de ficar olhando as notas musicais. Nunca fui de ficar olhando partitura, que foi uma coisa que nos ensinaram”, disse.

Hoje, as aulas são incrementadas com instrumentos musicais fornecidos pela Secretaria de Estado da Educação. Mas os objetos não são considerados imprescindíveis.

O governo paranaense informou que desde 2003 houve três concursos públicos para contratação de professores. No entanto, não esclareceu se as contratações foram suficientes.

Na cidade de São Paulo, a música foi incluída nas orientações curriculares de 2008 contemplando ritmos regionais, afro-brasileiros e indígenas. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, até o final do ano passado 24 cursos formaram 1.006 professores em linguagem musical. Porém, a pasta não identificou um trabalho que já estivesse em andamento e servisse como exemplo a ser retratado nesta reportagem.
Há também atividades fora do horário de aula comum como bandas e fanfarras, iniciação musical e apresentações eruditas que são oferecidas nos Centros Educacionais Unificados (CEUs).

No Rio Grande do Sul, o governo anterior fez um documento por série detalhando conteúdos musicais e objetivos. A atual Secretaria de Educação, no entanto, diz que nenhuma escola de ensino fundamental e médio adota música nas aulas.

Leia o artigo na íntegra aqui.

Sem baixar

Publicado em: abril 13th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo bem interessante publicado por  Tatiana de Mello Dias no jornal O Estado de S. Paulo:

Faz um tempo que a música está online. Além de comprar um CD ou baixar um arquivo, surgiu uma terceira opção: escutar um disco sem tê-lo: os arquivos ficam gravados em servidores externos. O modelo prosperou e hoje é visto como o filão mais promissor do ainda incipiente mercado de música digital.

É que, entre os modelos de consumo de música que já surgiram, o streaming parece ser o que mais deu certo. Tome como exemplo o Spotify. O site sueco criado em 2007 já é uma das maiores empresas de internet no mundo. Um milhão de pessoas foram convencidas a pagar por música – dos 10 milhões de assinantes, 10% optam pelo modelo pago. Isso só na Europa.

Por trás do Spotify está a emblemática presença de Sean Parker, um dos criadores do Napster e investidor da web – hoje talvez mais conhecido como o investidor do Facebook interpretado por Justin Timberlake no filme A Rede Social.

Ele disse em um debate no ano passado que o Spotify é uma forma de “consertar o estrago que comecei com o Napster”. “Temos de criar um novo modelo.” Para Parker, o streaming dá às pessoas o que elas querem: conveniência e acessibilidade. Ouvir música quantas vezes quiser, de graça, a partir do seu computador.

Só que o Spotify ainda não conquistou um território crucial para determinar seu futuro. Faltam os EUA. O serviço ainda não chegou a um consenso com as gravadoras para custear os direitos autorais e garantir sua legalização por lá. Mas Parker já mexeu seus pauzinhos: ele acaba de se tornar, junto a um grupo de investidores, acionista da Warner e, assim, tem voz ativa em pelo menos uma das grandes gravadoras que precisará convencer.

Google e Amazon seguem a mesma trilha. Em palestra recente, o presidente da Motorola, Sanjay Jha, deixou escapar que o Google lançará um serviço de música para smartphones e tablets. “Se você olhar para os serviços móveis do Google, há o de vídeo, há o de música, quer dizer, vai haver um serviço de música”, disse. O player para Android acaba de ser atualizado – e, na versão 3.0, o streaming ganhou o espaço mais nobre do display.

Os passos da Amazon são mais concretos. A empresa acaba de anunciar o CloudDrive, serviço online de armazenamento em que usuários podem guardar até 5 GB de conteúdo de graça e acessá-lo de qualquer dispositivo. Dá para comprar ainda mais espaço – até 1 TB. E, com ele, o CloudPlayer, aplicativo que permitirá a reprodução de músicas armazenadas ali. É possível, por exemplo, criar listas de reprodução. O CloudPlayer já está disponível para celulares Android.

No Reino Unido, a Universal deve lançar em breve um serviço streaming com a Virgin Media. “O streaming é diferente de download. Você está falando da compra de 175 milhões de músicas avulsas ao ano no mercado de downloads comparadas a 7 bilhões de transmissões de música por streaming pago”, diz David Joseph, principal executivo da Universal. “Streaming e modelos de assinatura são o futuro do negócio.”


No Brasil. Aqui ainda há poucas opções para quem que quer pagar para ouvir música em streaming. Embora o acesso ao ótimo Grooveshark seja liberado (veja ao lado), não há planos de trazer o Spotify para cá – apesar de o modelo parecer promissor para indústria fonográfica aqui.

“Nos EUA, o download unitário funciona bem por causa do iTunes. É uma solução verticalizada, mas é um player da Apple que deu certo, tem preço acessível, tudo direitinho. No Brasil, com toda a relação da cadeia de valores, o download unitário fica caro”, explica Miguel Cariello, gerente do Escute, serviço de música online da Som Livre. O site tem assinaturas que variam de R$ 5 a R$ 15 para acesso ao catálogo em streaming e download. “Ao sair do modelo de entrega de produto e passar para um modelo de serviços, chega-se a um preço mais justo para o consumidor, além de manter todo mundo remunerado.”

Carrielo não diz quantos assinantes o serviço tem. O número é baixo, diz ele, porque o serviço acabou de estrear e o consumidor ainda está “começando a entender” o modelo. “A gente ainda tem a coisa de ter a música no computador. Mas, mesmo assim, o streaming é a grande execução.” Segundo ele, 80% do público opta pelo plano de R$ 15, que permite acesso a todo o catálogo (três milhões de músicas) em streaming e download.

Além do Escute, há também o Sonora, do Terra, e sites como o Kboing, que fornecem diferentes maneiras de consumir música. Mas os dois maiores – o Sonora e o Escute – têm “uma lista grande de desrespeito ao consumidor”, segundo estudo inédito do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). O instituto avaliou os serviços Escute, Sonora e UOL Megastore (que não tem streaming) e percebeu problemas como arquivos cujo DRM bloqueia o uso após o fim da assinatura ou a transferência de arquivos do PC para o celular e a exigência do pagamento de um pacote para quem quer adquirir apenas uma música.

No entanto, acima de todos os problemas, está a propaganda que leva o consumidor a pensar que o serviço ilimitado – quando, na verdade, ele é cheio de restrições. “A propaganda é uma tentativa de retomada da indústria fonográfica, que perdeu muito por fazer essa campanha contra quem faz download”, diz Guilherme Varella, advogado do Idec. “A lei de direito autoral abre essa margem para a empresa atuar de forma abusiva”.

Parece simples: basta um modelo fácil e acessível para que a música digital vire um bom negócio, certo? Nem sempre. Boas intenções existem, mas um fator que restringe a criação de novos serviços e a universalização dos que já existem: os direitos autorais. “É trabalhoso. Lá fora todos trabalham com copyright: usa e paga. Aqui, tem de pedir autorização para depois vender. Sofremos com a burocracia”, diz Miguel Cariello, gerente do Escute.

No Brasil, a cobrança por direitos autorais é feita pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que criou, no ano passado, um mecanismo específico de cobrança pela execução e transmissão de música digital. O cálculo é trabalhoso. O Ecad tem várias tabelas para definir o valor do pagamento.

Um site como o Spotify, que tem como principal serviço a música e é lucrativo, teria de pagar 7,5% de sua renda ao Ecad por mês (o valor mínimo estipulado pelo escritório é R$ 2.348). O Spotify poderia arcar com isso; mas uma startup que esteja tateando o mercado, talvez não.
Os meios digitais representam menos de 1% da arrecadação do Ecad, mas são um dos segmentos que mais crescem. “Estamos desbravando essa área agora”, explica Márcio Fernandes, gerente de arrecadação do Ecad.

Os maiores arrecadadores na área digital são o YouTube e o Kboing, serviço de músicas custeado por publicidade. Mas o filé mignon é o acordo com o Google, firmado em 2010 e que rende ao Ecad o equivalente a 2,5% do faturamento do YouTube no Brasil.

O valor, claro, não vai para todos os músicos que têm músicas ali. O Ecad adotou uma regra de distribuição que leva em conta o número de acessos. A distribuição dos recursos é baseada nos rankings do YouTube. O Ecad definiu uma linha de corte: só é pago o artista que tiver um número de views suficiente para receber pelo menos R$ 1.

Ou seja: quem mais lucra com direitos autorais no maior acordo de música digital já firmado no Brasil é, quem diria, Justin Bieber. Os artistas pequenos não recebem nada. “A gente não tem como pagar todas as músicas”, justifica Fernandes.

Para ele, o grande passo do acordo não é a verba, mas o fato de que o Google aceitou a lei brasileira. “O Google se apropria de conteúdo, pega brechas jurídicas, e aqui entendeu que a lei é precisa”, diz. O acordo, para ele, é “um grande passo para incluir os artistas que estão de fora”. “Quem compõe com seriedade pode encarar a internet como uma possibilidade, mas é preciso se filiar e declarar as suas músicas. A gente vai aumentar os rankings”.

Um quarto do conteúdo de vídeo consumido nas casas dos EUA é via streaming. O mercado de transmissão online é promissor também para a indústria cinematográfica. Nesse cenário, seis em cada dez filmes vistos por streaming são da Netflix, que era uma locadora de DVDs via correio e hoje é um serviço com mais de 20 milhões de assinantes.

A produtora e distribuidora Miramax acaba de fechar acordo com a Netflix – estimado em US$ 100 milhões – para dispor seus filmes no site. Estima-se que a Netflix valha hoje cerca de US$ 10 bilhões; e o segundo gigante do mercado, o Hulu, US$ 2 bilhões.

Segundo a consultoria ABI Research, o mercado de vídeos online deve movimentar US$ 16,1 bilhões entre serviços pagos e publicidade.

A Amazon, que acaba de lançar um serviço de armazenamento online, apresentou sua resposta à Netflix: fornecerá filmes e programas de TV em streaming para clientes premium, usuários que pagam US$ 79 ao ano para ter acesso a 5 mil títulos.

O Google também deve entrar nesse mercado, via YouTube. Segundo o Wall Street Journal, deverão ser criados 20 canais de conteúdo exclusivo no site, com categorias como esportes e arte, com programação semanal. A ideia é que as pessoas assistam vídeos na web como fazem na TV. A empresa deve investir US$ 100 milhões no projeto.

Os serviços ainda estão distantes do Brasil. Mas há rumores de que a Netflix estaria vindo para cá. Recentemente, em seu site de oferta de empregos, a empresa avisou que está se preparando para uma “rápida expansão internacional” e exigia dos candidatos fluência em inglês e línguas como alemão, francês, italiano, japonês, coreano, português e espanhol – pistas das regiões para as quais pretende se expandir.

Fonte original aqui.

Licença para não copiar ou reproduzir!

Publicado em: abril 8th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo publicado por Paulo Roberto Elias no site Webinsider.

Métodos de proteção contra cópia continuam a ser empregados e chegam a impedir o funcionamento correto dos equipamentos.

É curioso como certos assuntos continuam recorrentes, ao invés de se tornarem esquecidos de vez. E nós agora passamos para o século 21, com vícios herdados do século passado e que parece não terem prazo para acabar.

Um deles é a guerra entre os artefatos do DRM, impostos no peito pela legislação norte-americana, e a reação das comunidades de usuários e hackers internacionais para combatê-los.

A guerra começou bem antes da era digital, e o seu objetivo era um só: impedir que os usuários finais fizessem cópia de material protegido pelo direito autoral. A legislação abre brecha para a ação antipirataria invocando que o usuário final tem direito de usar, mas não de copiar o material que ele compra. O problema é que o usuário final não é o pirata que a indústria precisa combater, e sim o duplicador ilegal em massa das fábricas de disco clandestinas.

E como chamar o usuário final de pirata é uma acusação um tanto ou quanto pesada, a reação das várias comunidades foi imediata. Justiça seja feita, a indústria de equipamentos de áudio e vídeo foi arrastada para este combate de forma compulsória, acusada certa feita de estar facilitando o processo de cópia.

No lendário processo de ação judicial Universal Studios versus Sony, conhecido como o caso Betamax, a corte americana deliberou que a cópia feita pelo usuário, para fins pessoais, não era reconhecida como crime e sim como uso legítimo e justo (o assim chamado fair use). Isto, entretanto, não impediu que as empresas detentoras de conteúdo continuassem a bombardear os diversos segmentos da sociedade com métodos diversos de proteção incluídos no programa deste conteúdo.

Uma das primeiras iniciativas nesta direção foi adotar o Macrovision, ainda em ambiente analógico, portanto a guerra continuou bem antes do conteúdo passar para o domínio digital. O Macrovision foi adotado para impedir que o usuário copiasse uma fita de vídeo cassete, e continuou no DVD, porque os estúdios tinham medo de que a imagem superior do DVD fosse usada para cópias de melhor qualidade de seus originais em fita magnética.

Leia o artigo na íntegra aqui.

O “pulo do gato” para a sua banda.

Publicado em: abril 5th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo publico por Sergio Filho no site Overdubbing:

Às vezes, me perguntam sobre a coerência de uma banda de rock (ou qualquer outro estilo) ao vivo. Coisas do tipo “como conseguir deixar o som ‘redondo’?”. Por isso, trago nesse artigo uma abordagem a que me dei o direito de chamá-la “o pulo do gato“.

Quem já está nessa vida de banda há algum tempo sabe o quanto é difícil encontrar os integrantes certos. Aqueles caras (ou, mais comum hoje em dia, meninas) que fazem a diferença no som. Além disso, têm que ser bons de convivência e pensar na mesma direção. Ora, tanta gente passa a vida inteira dando com a cara na parede por causa de seus relacionamentos a dois (não só amorosos, como também entre pais e filhos, patrão e empregado, etc.), o que dirá em um relacionamento a quatro/cinco!? Muitas bandas famosas, inclusive, já sofreram desse mal (quem nunca viu, assista Some Kind of Monster, do Metallica).

Indiscutivelmente, leva-se tempo para se conhecer bem o indivíduo que está pegando a estrada com você, mas isso não é motivo para neuroses do tipo “não confio em ninguém”. É apenas uma questão de tranquilidade e transparência nas suas relações.

Mas, voltando ao âmbito pragmático, onde quero chegar é nos ensaios. Tocar as mesmas músicas por longos períodos (às vezes muito longos mesmo) pode ser chato. Você não vê mais para onde aquilo pode evoluir. Mas é aí que mora o “pulo do gato“. Existem basicamente três estágios no aprendizado musical em banda (isso eu digo por experiência, e não por nenhum estudo científico sobre cognição cerebral). O primeiro é aquele em que você precisa tocar prestando muita atenção naquilo que está fazendo. Esse é o ponto em que se faz o arranjo da música, se for própria, ou se “tira” o cover. Aqui, você ainda não está familiarizado com a parte técnica da execução da música. Se você é guitarrista, erra um acorde, esquece uma parte da música, “capa” um solo. Se você é baterista, esquece um bumbo aqui, outro ali, sai do tempo um pouquinho. Se você é baixista, provavelmente vai se enrolar naquele “groove” mais safado. Se você canta, fatalmente vai esquecer a letra.

Depois de muito ensaiar, todo mundo começa a tocar direito a música. Este é o segundo estágio. Aqui, todo mundo acha que já está bom. Nunca parece melhorar muito mais. Você já até se balança tocando. E aqui, muita gente para de buscar a evolução. Acontece que não basta dominar tecnicamente aquilo que se toca. É preciso fazer parte daquilo, incorporar a música. Mesmo se você é um sideman, e nem curte tanto aquilo que está tocando, é preciso estar 100% presente e íntegro. Afinal, se você é músico, deve ter escolhido essa profissão porque ama, certo? Se quisesse ganhar dinheiro, é fato que não estaria buscando isso nesta área…

O terceiro estágio é aquele em que a música passa por dentro de você. Você a respira e transpira. Você não vai mais errar nenhum acorde porque simplesmente nem vai pensar qual acorde está tocando. Ele simplesmente aparece montado no braço da guitarra na hora certa. É aí que você alcançou o “pulo do gato“. Uma boa maneira de comprovar isso é quando você se pega há muito tempo sem tocar aquela música e, no entanto, na hora do ensaio, sai tudo perfeitinho. Não é lindo?

A dica é: mantenha-se presente naquilo que você faz (isso se estende pra tudo na sua vida, ok?). Aproveite aquele exato segundo em que você toca aquela nota. Faça mesmo como se não houvesse nada depois nem tivesse havido nada antes, porque de fato não há. O passado já passou, o futuro nem chegou. Nem um segundo antes, nem um segundo depois. Somente no agora! Ao alcançar esse estágio, você vai perceber como misteriosamente a sua banda soa verdadeira, “redonda” e com toda a energia necessária para tocar qualquer um que esteja na plateia!

Fonte original aqui.

Eu ligo o rádio e blá, blá…

Publicado em: fevereiro 7th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo publicado por mim na minha coluna “Mídias musicais” do site Overdubbing:

Recentemente, andou circulando pela internet a participação do cantor e compositor Lobão em um programa da rádio Transamérica de São Paulo. A participação dele acabou se tornando um excelente debate acerca do papel dos veículos tradicionais de comunicação, como o rádio e a TV, para a cadeia produtiva da música nos dias de hoje. Muito tem se falado que com o advento da internet, que deu suporte ao surgimento de novas tecnologias, incluindo as rádios digitais e plataformas como YouTube e MySpace, tais veículos teriam perdido a importância que já possuíram no passado.

Lobão defende que o rádio ainda é de grande importância para o desenvolvimento de carreiras artísticas no Brasil e que esse veículo continua sendo, muitas vezes, restrito a artistas que possuem o suporte de agentes do setor que pagam para executar suas músicas. Por mais que a internet tenha gerado benefícios no que tangem a democratização proporcionada pelos veículos digitais de divulgação, o rádio e a TV continuam sendo utilizados para estimular o consumo de um segmento artístico financiado por interesses coorporativos.

O acesso facilitado aos meios de produção e divulgação musical deu oportunidade para aqueles que têm interesse em se inserir no mercado musical, porém, para desenvolver uma carreira profissional no Brasil ainda é necessário ter acesso aos meios tradicionais de comunicação. Com base nisso, Lobão acrescenta que tais veículos atualmente encontram-se interligados, defendendo que:  “… a TV aclama o que o radio divulga que foi farejado na internet. São três estágios, e todos são interligados.”

Além disso, ele lamenta o fato de não existir nos dias de hoje uma estação de rádio com o perfil da extinta Rádio Fluminense, que executava novos artistas nos horários de maior audiência e foi responsável por lançar uma geração de grandes talentos da música popular brasileira nos anos 80. Quando se trata do acesso restrito aos tradicionais veículos de comunicação, o discurso de Lobão bate com o abordado por Mauro Dias em seu artigo “Sobre o Jabá”:

“Não há questão moral a ser considerada. O negócio é dinheiro. Um bom compositor, cantor, instrumentista, vai ter de se submeter a determinados imperativos (ditados pelos que pagam a execução), ou fica de fora. Quem não entrar no esquema não aparece. Quem quer entrar no sistema precisa ter muito dinheiro – precisa pagar mais ainda, porque as “vagas” são limitadas. Se entra um, sai outro. (…) Só quem entra no esquema, claro, é a grande indústria, que tem o dinheiro – e que inventou o esquema, afinal. (…) Ou seja, estamos falando de economia, de lobbies, de pressões, não de música. Enquanto isso, o ouvinte vai acostumando o ouvido com as barbaridades criadas nos laboratórios de marketing das companhias de disco e perde a capacidade de comparar. E os criadores… Bem, os criadores, os artistas verdadeiros, que existem, quase ninguém sabe, vão resistindo o quanto podem. Um dia, desistem – os novos Chicos e Caetanos, as novas Elis Reginas e Nanas Caymmis, os novos Jobins e Fátimas Guedes um dia desistirão. Precisam comer, vestir-se, sustentar filhos. A ganância dos executivos está promovendo um massacre da cultura brasileira que talvez não tenha similar na história da humanidade. Estão matando de fome o que temos de mais rico – nossa música. Matando de fome a inteligência e a sensibilidade.”

(Disponível em: http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=129&titulo=Sobre_o_Jaba)

Vale ressaltar que o referido artigo foi originalmente publicado no jornal Estado de São Paulo, em 1999, ou seja, há mais de dez anos e vemos que, apesar disso, pouca coisa mudou. Ainda sobre o papel do rádio nos dias de hoje, alguns artistas reclamam que tais veículos também são responsáveis por ditar a forma como suas composições devem ser adaptadas para serem executadas. O cantor e compositor Jay Vaquer comentou o assunto em entrevista concedida a mim para meu livro Música e tecnologia: um novo tempo, apesar dos perigos, defendendo  que: “Eles (agentes das rádios) são gênios da lâmpada criando loucuras. Como pode acontecer uma renovação se as condições de acesso estão vinculadas ao poderio econômico por trás das carreiras?”. Já o cantor Leoni, também em entrevista cedida a mim para o livro, ressalta que “…ele (o rádio) ainda é importante porque o mercado ainda não se adaptou a essa nova fase.

Baseada nessa nova fase do meio musical, marcada pela utilização da internet como um eficiente meio de divulgação, a produtora Liana Brauer, que trabalha na LIGA Entretenimento, responsável por artistas como Lulu Santos, Preta Gil e a banda Scracho, diz que grande parte das bandas que conseguem atualmente desenvolver um trabalho profissional a partir da utilização da internet opta por investir suas receitas obtidas com os shows em divulgação nos veículos tradicionais de comunicação. Ou seja, usa-se a internet para se divulgar um trabalho, e a receita gerada com shows é voltada para pagar a divulgação no rádio (jabá) e TV. Alguma dúvida sobre a importância de tais veículos nos dias de hoje?

Com isso, vemos que apesar de toda a evolução tecnológica, que gerou grandes alterações na sociedade e consequentemente no meio musical, nem tudo mudou. Por mais que se fale da democratização da internet, os interesses coorporativos continuam ditando as regras do mercado e percebe-se que nos últimos anos pouco se evoluiu nesse campo. É bom frisar que estamos em período de mudança de gestão presidencial e registro aqui a importância de se debater tais condutas que, a meu ver, são criminosas e ferem um dos principais valores da identidade nacional: a música brasileira. Fica aqui meu apelo para Ana de Hollanda, atual ministra da Cultura, para que se discutam tais questões. Ou seria caso para o Ministério da Justiça?

Resultados concretos em cenário de “caos” fonográfico

Publicado em: janeiro 10th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Nessa semana publiquei esse artigo na minha coluna “Mídias musicais” do site Overdubbing:

Foi-se a primeira década do século XXI, e percebe-se que o mercado musical ainda busca alternativas para se adaptar às mudanças surgidas desde o final do século passado, responsáveis pelo declínio de um homogêneo modelo de negócio consolidado pela indústria fonográfica. Se até em um passado recente era bastante clara a forma como a música era escoada como bem de consumo para um mercado consumidor definido, o que se vê ao início de 2011 é a sensação de instabilidade ainda calcada na busca de modelos substitutos que possam solucionar muitos dos obstáculos encontrados em virtude das mudanças vistas.

Nos últimos anos, observou-se o surgimento de algumas iniciativas inovadoras que buscam criar novas alternativas para o desenvolvimento da cadeia produtiva da música. Uma banda que tem obtido resultados concretos com a implementação de estratégias de trabalho que utilizam como base as tecnologias disponíveis é a banda carioca Forfun. Esse conjunto, que vem conquistando cada vez mais seguidores pelo Brasil, realiza sua divulgação exclusivamente na internet e possui sua própria estrutura de trabalho, formada por profissionais de diferentes áreas, como especialistas em marketing digital, técnicos, produtores e o empresário, Marcos Sketch.

Danilo Cutrim, vocalista da banda, em entrevista pessoal para meu livro Música e tecnologia: um novo tempo, apesar dos perigos, comentou sua estrutura de trabalho: “Montamos uma gravadora que é nossa, com outros padrões financeiros e com outras crenças também”. É importante frisar que a receita obtida com as apresentações da banda viabiliza essa estrutura de trabalho: “A gente faz um fundo e dele sai tudo: assessoria de imprensa, assessoria de TV, etc”.

Atualmente, enquanto a Forfun prepara o lançamento de seu novo disco, seu empresário Marcos Sketch realizou um balanço dos resultados obtidos com o último disco da banda, o Polisenso, disponibilizado para download gratuito no site oficial. Ele defende que “por mais que soubesse que o disco fosse parar de qualquer forma em mp3 na internet, acho que a oficialização do download (gratuito) permitiu uma disseminação mais rápida e ainda maior. O alcance que o disco teve com o ‘download oficializado’ fez o som da banda chegar a pessoas e lugares que não chegaria se fosse feito de qualquer outra forma”.

Sketch relatou que no período de dois anos foram contabilizados 700 mil downloads do disco inteiro, baixado diretamente no site oficial da banda, e acredita que, além desses downloads oficiais, por meio da divulgação boca a boca feita pelos fãs e das redes de compartilhamento, o álbum tenha chegado à mão de mais de um milhão de ouvintes. E ressaltou, ainda, que nesses dois anos de trabalho com o Polisenso, a banda obteve a maior receita de toda sua carreira, fez a maior quantidade de shows/ano e tocou em dezenas de cidades por onde a banda nunca havia tocado.

Com isso, podemos ver que já existem iniciativas bem sucedidas no Brasil. Acredito que o nicho do mercado musical jovem, também chamado de teen, esteja ajudando a reescrever as diretrizes do mercado musical brasileiro, pois vemos que estratégias similares às adotadas pela Forfun vêm atingindo resultados bastante promissores.

Uma análise da música pelas novas tecnologias

Publicado em: dezembro 8th, 2010 por Leo Morel | Nenhum comentário

Foi publicada recentemente essa matéria no site Overdubbing:

Uma análise da música pelas novas tecnologias

É com grande satisfação e honra que tive a chance de ler o livro Música e Tecnologia: um novo tempo, apesar dos perigos (à esquerda), do percussionista e baterista Leo Morel, lançado pela editora Azougue. Cabendo literalmente no bolso, a qualidade do conteúdo desse material é diretamente proporcional à riqueza das entrevistas contidas nele. Na verdade, segundo explica Morel, esse trabalho surgiu a partir da sua tese de pós-graduação em Gestão Cultural pela Fundação Getúlio Vargas – FGV.

O livro descreve de maneira bem interessante, diga-se de passagem, como a inovação tecnológica impactou o mercado musical na visão de um eclético time de artistas, incluindo nomes que vão desde Geraldo Azevedo, Leoni (que escreve a orelha do livro), aos integrantes da banda Forfun, Pedro Luis, Jay Vaquer, entre outros. Além disso, o autor conversou com profissionais que fazem parte da imprensa especializada, como os jornalistas Sergio Cabral e Rodrigo Sabatinelli.

“Foi muito importante que o Leo tenha falado com representantes de toda a cadeia produtiva da música para mostrar como os diferentes setores se posicionam diante da destruição criadora da internet… Se alguém hoje disser que sabe qual é o futuro da música nos próximos 10 anos, pode colocar uma camisa de força e internar”, destaca Leoni na orelha do livro.

Ou seja, leitura indispensável para os que querem refletir um pouco mais sobre o presente e o futuro da música. Para mais informações, e onde comprar a obra, acesse o endereço www.musicaetecnologia.net.

Matéria na íntegra está disponível aqui.

Livro aborda impacto da tecnologia no mercado.

Publicado em: dezembro 6th, 2010 por Leo Morel | Nenhum comentário

Saiu essa matéria sobre meu livro “Música e tecnologia: um novo tempo, apesar dos perigos.” na edição desse mês da revista Áudio, Música e Tecnologia:

O cenário da música brasileira.

Publicado em: novembro 25th, 2010 por Leo Morel | Nenhum comentário

Participarei da mesa redonda desse evento que acontece no Sebrae MB em Belo Horizonte no dia 29/11:

Katia Dotto, Leo Morel e Bloco Cru no “Oficina de Voz Independente”

Publicado em: novembro 18th, 2010 por Leo Morel | Nenhum comentário

O cantor e compositor Marcio Guerra recentemente teve a grande iniciativa de fazer um programa voltado para música em seu canal no Youtube que se chama “Oficina de Voz Independente”. No programa de estréia ele comenta o disco de Katia Dotto, fala sobre meu livro “Música e tecnologia” e também fala do Bloco Cru. Confira: