Estive presente na sexta-feira passada no Seminário “Modelos de Negócios na Música – Novos Canais de Distribuição” realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE/RJ) do Rio de Janeiro em parceria com o coletivo Ponte Plural.
O evento que acontecerá entre os meses de agosto a dezembro, teve na mesa inaugural as presenças de FABRÍCIO OFUJI (produtor da banda Móveis Coloniais de Acaju), TALLES LOPES (representante da ABRAFIN, Circuito Fora do Eixo e produtor do Festival Jambolada), ADILSON PEREIRA (Jornalista cultural, ex-editor da Revista Outra Coisa e Programador do Circo Voador) e GABY MORENAH (Produtora do Circo Voador) que debateram o tema “O Mercado de Shows e Festivais e sua Influência na divulgação do artista e distribuição de seus produtos”, sob mediação de DANIEL DOMINGUES, coordenador do Núcleo de Negócios do coletivo Ponte Plural.
Cada participante expôs um pouco da sua experiência profissional no mercado da música e abordou de que maneira novas bandas e artistas devem procurar desenvolver suas carreiras nesse campo sob o mecanismo do planejamento e autogestão. Foi tratada de forma unanime a noção de que aquele mundo onde as grandes gravadoras serviam como única forma de um trabalho musical ser desenvolvido e massificado já não é mais o mesmo e que os artistas e produtores de festivais foram obrigados a se adaptar a essa nova realidade.
Assim como foi abordado no meu livro “Música e tecnologia: um novo tempo, apesar dos perigos”, foi bastante comentado no Seminário a noção de que atualmente as bandas e os artistas tiveram de acumular tarefas que vão além do trabalho musical quando se almeja o desenvolvimento de uma carreira no mercado.
O que me chamou atenção foi o discurso da produtora da casa de shows Circo Voador, Gaby Morenah, ao abordar a atual maneira de realizar eventos culturais, mais precisamente na área da música. Segundo ela, o aumento dos custos de produção marcado principalmente pela pesada carga tributária incidente nesse tipo de atividade ocasionou a dependência de patrocínios para viabilizar tais eventos. E, da mesma forma como trato no livro, ela esclarece que muitas empresas que patrocinam projetos culturais muitas vezes buscam se associar a eventos que propiciem uma boa divulgação de suas marcas e, com isso, preferem investir em shows e festivais que contem com nomes consagrados da música brasileira que geralmente atrai público.
No meu livro questiono o papel de empresas que nunca tiveram ligação com o setor cultural passem a ser essenciais na cadeia produtiva da música. Além disso, também debato no livro o critério de seleção desses agentes para investir em festivais de música e carreiras musicais. É muito mais rentável investir em grandes nomes da música para se ter retorno desejado de uma marca, mas será que esse apoio baseado muitas vezes nos mecanismos de renúncia fiscal é justo? A cultura que sempre dependeu de algum tipo de investimos necessita desse tipo de operação para poder sobreviver, mas me questiono se isto está tornando o mercado musical cada vez mais dependente e viciado nesse tipo de operação.
