Banco da Warner Music caiu 72% em cinco anos …

Publicado em: abril 27th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Ações da WMG fecharam em 7,46 dólares na quinta-feira (os mercados estavam fechados para Sexta-Feira Santa). Isso se compara com uma valorização de 24,46 dólares na semana encerrada em 24 de abril de 2006, uma queda de 71,81 por cento sobre na extensão de cinco anos. Em uma base financeira, um recente mergulho profundo pela Digital Music News revelou perdas agregadas de topping $ 10000000000 longo dos últimos dez anos.

Ações da WMG têm rotineiramente mergulhado abaixo de $ 5 no ano passado, e as ações bateram lá embaixo com o valor de US $ 1,68 em 2 de março, 2009. A empresa está atualmente com a aquisição consolidada de entretenimento e oferece mais de US $ 3 bilhões.

(Gráfico completo disponível aqui )

Fonte original aqui.

O visível e o invisível no debate sobre a cultura

Publicado em: abril 26th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário


Artigo publicado por Rodrigo Guimarães Nunes na Carta Maior:


Deve-se pensar a política de cultura segundo um modelo ultrapassado que funcionava para poucos, ou um novo modelo que cria possibilidades para muitos? Deve-se pensar a partir dos “grandes” consagrados pelas antigas regras do jogo, ou dos “pequenos” e “médios” que jamais “chegarão lá” nos mesmos termos? Da perspectiva de reforçar um sistema que necessariamente cria exclusão e escassez, ou da expansão do número de produtores de cultura que conseguem viver de seu trabalho? A partir da base ou da ponta? O que incomoda é que o novo MinC, que deveria estar puxando esses debates, ou não os compreende, ou cria, sobre eles, uma confusão deliberada.

Cientes da amplitude do apoio às políticas da gestão anterior, os novos ocupantes do MinC têm se apressado em negar qualquer ruptura entre as gestões. Segundo a ministra Ana de Hollanda, “um governo de continuidade pode ter outros focos, o que não significa anular ou inverter o que foi feito.” O que é curioso – e preocupante – nessa tentativa de apresentar os novos rumos como continuação dos antigos é que, sempre que se fala destes, parece ser ou para criticá-los de forma velada, ou para elogiá-los por ser aquilo que não eram. Em outras palavras, talvez na ausência de uma nova agenda ou no temor de publicamente assumi-la, busca-se afirmar uma continuidade com algo que se demonstra desconhecer ou desaprovar.

É uma negação que, pelo jeito de negar, parece confirmar o que nega: “a dama protesta demais”, como disse a mãe de Hamlet, vendo-se representar numa peça de teatro. Justamente por isso convém, à maneira dos psicanalistas, escutar este discurso, para ouvir, naquilo que diz, o que deixa de dizer: o modo como organiza sua luz e suas sombras, como distribui o visível e o invisível.

Até aqui, a maior celeuma envolvendo a nova gestão é a do passo atrás na reforma do direito autoral. Não tanto (ou apenas) pela controvérsia própria ao tema, mas principalmente pela forma como nela se operou. Primeiro, retirando um anteprojeto de lei resultante de um debate de cinco anos, aberto a todos os interessados, com o pitoresco argumento de que este seria, ao mesmo tempo, amplamente desconhecido e rejeitado. Em seguida, substituindo a pessoa que acompanhou todo o processo pela Diretoria de Direitos Intelectuais (DDI) por alguém com vínculos históricos com os maiores interessados em deixar a área como está: o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). (Se você quisesse conhecer melhor o trabalho que estava sendo feito antes de você chegar, retiraria do cargo quem melhor o conhecia?) A situação já foi comparada a botar um ruralista para cuidar da reforma agrária, mas se assemelha mais ao “tapetão” de nossos cartolas futebolísticos: onde o time que perdeu “em campo” (no debate de cinco anos) consegue, pela força de seu lobby, não somente marcar um novo jogo, mas indicar o juiz.

Mas não é preciso pôr em dúvida a sinceridade das declarações feitas até aqui para ver problemas sérios. A insistência em alegar ignorância sobre o anteprojeto como razão para retomar a discussão faz suspeitar que os novos responsáveis pela área simplesmente não estavam prestando atenção no que nela ocorreu nos últimos anos – o que necessariamente põe em questão seu preparo para assumi-la. E quando se ouve atenta para o visível e o invisível no discurso, a suspeita só faz se confirmar.

Por exemplo, na declaração da nova titular da DDI de que é preciso “achar um denominador comum” entre os “projetos fantásticos” do “pessoal da mídia livre, para aumentar o acesso à cultura, (…) e os autores”. Ou quando Antonio Grassi, presidente da Funarte, diz que “houve um momento em que se fomentou a importância de fazer inclusão social por meio da arte, e a excelência artística ficou em segundo plano”. Implícita, aqui, está uma distinção entre dois estratos e duas formas diferentes de atuação na área cultural. De um lado, temos os “autores”, indivíduos capazes de uma elaboração artística apurada (“excelência”), que necessita ser tornada mais acessível para o restante da população sem, contudo, pôr em risco sua capacidade de viver daquilo que fazem. Esses são os verdadeiros “produtores” de cultura. De outro lado, temos os difusores, que são mais exatamente prestadores de serviço: prestam o “fantástico” serviço de aumentar o acesso e fomentar a inclusão social por meio da cultura, mas não são realmente “produtores”.

O que há de errado com essa visão? Em primeiro lugar, ela demonstra a não-assimilação da verdadeira inovação da política cultural nos últimos oito anos: a de partir do princípio de que as condições tecnológicas presentes permitem uma democratização antes inimaginável dos meios de produção e circulação de artefatos culturais. Em outras palavras, a política das gestões anteriores do MinC nunca foi meramente de “democratização do acesso” ou de “inclusão social”, porque não visava oferecer as condições para a criação somente de consumidores, mas, principalmente, de produtores de cultura.

O desentendimento parece vir, em segundo lugar, de uma diferença de fundo na maneira de conceber a cultura. Porque, se o antigo MinC chegou a esse tipo de formulação, foi por ter partido do princípio que todos são, sempre, produtores de cultura, sem distinção hierárquica entre a vasta planície e aquele pequeno Parnaso habitado por uns poucos “autores” que, por seu dom de “excelência”, merecem o reconhecimento de todos.

Podemos explicar a diferença com uma metáfora: pode-se pensar a cultura ou como vazio, ou como plenitude. No primeiro caso, temos uma tabula rasa onde a cada tanto um “autor” vem depositar sua criação; essa se difunde, se imita, se dilui, se mistura a outras linhagens, até que um novo “autor” arranque “de seu íntimo” uma nova criação. No segundo caso, há produção e circulação constante, vinda de todos os lados; a “criação” nada mais é que uma recombinação inovadora de diferentes elementos já existentes, um efeito secundário da circulação de ideias, afecções e influências; e o grande “autor” é simplesmente aquele que faz, de uma ampla gama de influências e elementos, uma síntese mais relevante e cheia de significados. (Isso implica, com frequência, que também seja alguém com acesso a uma gama maior, o que é, claro, em parte socialmente determinado. Chico possivelmente ainda seria Chico se não fosse Buarque de Hollanda, mas dificilmente conseguiria ser Chico se fosse o mais reles Silva.)

As diferenças entre as implicações de cada posição podem ser vistas na prática. Reduzir a produção de cultura ao trabalho de um pequeno número de “autores” nos dá uma imagem falseada daquilo que é a cadeia de produção da cultura hoje, bem como quem são seus atores econômicos. A realidade dos pouquíssimos produtores de cultura que conseguem viver de direito autoral é tomada como padrão, e a verdadeira condição da grande maioria dos que trabalham e tentam ganhar a vida com a produção cultural é inteiramente apagada. Um cenário complexo, onde há “pequenos”, “médios” e “grandes” – e onde os grandes são a exceção – é achatado em favor de uma oposição simples entre o Parnaso dos “autores” e a planície dos “usuários”. Para seguir no campo das metáforas futebolísticas, é como pensar o mercado esportivo brasileiro a partir de Ronaldinho, e não da massa de jogadores espalhados em milhares de times pequenos Brasil afora.

Por extensão, também a imagem que se oferece do debate sobre direito autoral será invertida e mistificada. Segundo a ministra, “comentava-se muito no meio cultural que as mudanças estavam deixando o autor em uma situação frágil em vários aspectos”. Já para a nova diretora da DDI, “todo mundo quer ter acesso aos bens culturais (…), mas há pessoas que vivem e dependem desses direitos. Quem produz precisa ser remunerado.” Assim, uma questão que toca a todos que produzem e consomem cultura é transformada numa simples oposição entre “meio cultural” (os “autores”, que vivem de direito autoral) e consumidores (que querem tudo de graça).

A vantagem prática da concepção de cultura do antigo MinC fica clara: partindo dos princípios de que todos são produtores de cultura e de que as transformações tecnológicas são irreversíveis e precisam ter seu potencial produtivo explorado, é possível pensar a produção de cultura como ela realmente é – hoje, nas condições da produção pós-industrial – ao invés de como ela é para os poucos que “chegaram lá” (e conseguiram “ficar lá”) no antigo sistema industrial. Pensar o iceberg a partir não da ponta, mas da base; e eleger a base, não a ponta, como o foco da política pública.

A diferença entre as duas concepções de cultura que se confrontam ao redor do direito autoral não está, como sugere a nuvem de fumaça com que se tenta obscurecer a discussão, no fato de que a chamada “cultura livre” significaria “tudo de graça para todo mundo agora”. “Livre” como em “liberdade de expressão”, não como em “cerveja liberada” (“free” as in “free speech”, not as in “free beer”), como diz o velho lema do movimento de software livre, cujos membros costumam, justamente, ganhar a vida como produtores de software. Fazer-se de desentendido, argumentando que “quem vive de cultura têm direito a uma remuneração”, é mais que dizer o óbvio; é criar um falso debate, protestando contra algo que o anteprojeto não somente jamais propôs, como buscava maneiras de fazer – dentro da nova realidade.

O novo MinC sistematicamente esconde que a lei que se quer reformar é uma das mais restritivas do mundo. Também somem do debate, em passe de mágica igualmente sistemático, as pessoas que vivem de cultura e são a favor da reforma do direito autoral. Não a “arraia-miúda” que é invisível na concepção de cultura da atual gestão, mas gente que deveria contar mesmo na definição rarefeita de “meio cultural”: Ivan Lins, Jair Rodrigues, Ná Ozetti, Francis Hime, Fernanda Abreu e Roberto Frejat, por exemplo. Estes, reunidos no Manifesto da Terceira Via e no Grupo de Ação Parlamentar (GAP), explicitamente defendem “uma política que, sem criminalizar o usuário,
garanta a remuneração dos criadores e seus parceiros de negócios” e o “projeto de reforma da lei 9.610/98, conforme encaminhado em dezembro do ano passado à Casa Civil”. A estes, hoje fora do esquema da grande indústria cultural, somam-se fenômenos pós-industriais como as bandas Teatro Mágico e Móveis Coloniais de Acaju, que, através da internet, conquistaram um público fiel em todo o país sem passar por grandes gravadoras, pagar jabá ou tocar na televisão.

Por aí se vê que não apenas é possível viver de fazer cultura nas novas condições de produção, como que muitos dos que o fazem vêem nelas um potencial emancipador. Por quê? Porque elas representam a possibilidade de realizar aquilo que sempre foi, em potência, a natureza do bem cultural.

Este é, por definição, imaterial e não-escasso: se eu comparto uma ideia, eu não deixo de tê-la. O que a digitalização e a internet permitem é sua difusão em tempo e custo praticamente zero, eliminando a necessidade de materializar-se num objeto material escasso: livros, CDs, DVDs são coisas que, até recentemente, não podiam ser compartilhadas sem perda.

Quem é atingido nessa mudança, então, não é o “criador”, mas os “atravessadores” da indústria cultural. Enquanto o artefato cultural precisava se materializar num bem físico, o produtor de cultura dependia de uma indústria para fazer a intermediação com o público. Essa relação de dependência fazia com que nem autor, nem consumidor saíssem ganhando: a parte do leão ia para o atravessador, que financiava a produção (então muito mais cara), assegurava a divulgação (frequentemente por meio do jabá e da matéria paga) e a distribuição do bem escasso.

Artistas estabelecidos conseguem ganhar mesmo assim: quando o lucro é grande, mesmo uma divisão desigual pode ser vantajosa. Além disso, os produtos comerciais destes artistas costumam ser os mais aquinhoados pelo sistema de financiamento (público) da Lei Rouanet – cuja ironia sem graça é que se investe muito na produção comercialmente viável, e pouquíssimo na que corre riscos. Em outras palavras, se dá dinheiro para aquilo que já ganha dinheiro, e não para aquilo que, justamente, mais precisaria de investimento público. Com isso, o dinheiro do contribuinte financia, não necessariamente a “excelência”, mas certamente o lucro das grandes empresas atravessadoras.

As novas condições tecnológicas barateiam a produção e dão ao produtor a possibilidade de, na posse completa de seu próprio trabalho, chegar diretamente ao público. Isso pôs os atravessadores em crise, e é cada vez menos provável que alguém, hoje, “chegue lá” pelo velho sistema industrial. Quem quiser fazê-lo terá que negociar com departamentos de marketing cada vez menos afeitos aos riscos da “excelência”, e cada vez mais interessados no retorno garantido.

Cabe então perguntar: deve-se pensar a política de cultura segundo um modelo ultrapassado que funcionava para poucos, ou um novo modelo que cria possibilidades para muitos? Deve-se pensar a partir dos “grandes” consagrados pelas antigas regras do jogo, ou dos “pequenos” e “médios” que jamais “chegarão lá” nos mesmos termos? Da perspectiva de reforçar um sistema que necessariamente cria exclusão e escassez, ou da expansão do número de produtores de cultura que conseguem viver de seu trabalho? A partir da base ou da ponta? Essas são as coordenadas do debate que deveria estar se fazendo.

Se se faz a opção por uma concepção democratizante da produção cultural, são bem-vindas as questões sobre “excelência” e “profissionalização” (outro refrão do novo MinC, para falar da necessidade de alterar o funcionamento dos Pontos de Cultura). Se por “profissionalizar” se entende oferecer as condições para a massa de novos produtores de cultura constituírem redes sustentáveis de produção e difusão, introduzindo e adaptando mecanismos do Estado para suprir as necessidades que aí se impõem, não se pode deixar de aplaudir a ideia.

Da mesma forma, se por “excelência” se entende não o banzo do Parnaso perdido, mas uma preocupação com o significado e a relevância do que um contexto muito ampliado de produtores de cultura hoje produz, a demanda é oportuna. É verdade que ainda não apareceram sínteses potentes da incrível e salutaríssima disseminação dos últimos anos. Se pensamos no quanto o acesso à produção e à circulação se ampliaram, o debate cultural e político, de fato, caminha muito atrás da nova realidade. Se pensamos na riqueza do debate sobre as intersecções entre cultura, sociedade e política que se produziu no Brasil nos anos 1960 e 1970, não dá para não pensar que as transformações recentes ainda estão longe de serem elaboradas.

Mas, novamente, a questão é: como queremos chegar a essa elaboração? Partindo do princípio de que, agora que muito mais pessoas podem ter “uma câmera na mão”, o que cabe fazer é criar as condições para uma produção e circulação que nos ponham para pensar seriamente sobre quais são, poderiam ou deveriam ser, hoje, “as ideias na cabeça”? Ou seguir pensando a partir de um velho estado de coisas, onde “uma câmera na mão” era o privilégio de poucos, tivessem eles ou não uma “idéia na cabeça”? São os “autores”, a academia, os intelectuais de todos os tipos que devem dar olhos e ouvidos a esse processo de tomada da palavra, participar dele, e, ao lado de seus novos atores, ajudar a refleti-lo e elaborá-lo. A “excelência”, se vier, virá desse movimento de incorporar-se a essa nova realidade; não de uma auto-referência que, porque só vê a si mesma como produtora de cultura, não consegue enxergá-la.

Talvez mais do que as medidas já tomadas, o que incomoda é que o novo MinC, que deveria estar puxando esses debates, ou não os compreende, ou cria, sobre eles, uma confusão deliberada. Quando o ministério da Cultura (do PT!) e a bancada ruralista estão falando a mesma língua, é de se pensar… Mas a identidade entre os discursos de Kátia Abreu e de Ana Hollanda se entende: enquanto a primeira repete a desinformação espalhada pela segunda, a segunda mobiliza os bichos-papões cansados da oposição mais rasteira – por exemplo, quando diz que supervisionar uma altamente opaca organização privada que presta um serviço público e é fortemente criticada por membros da própria classe que supostamente representa (o ECAD) seria “intervencionismo do Estado”.

(Como sói acontecer, a democracia e a não-intervenção estatal são boas para algumas coisas, e não para outras: depois de finalmente disponibilizar o texto do anteprojeto no site do ministério, abriu-se uma consulta pública – em que os comentários, ao invés de ficarem à vista de todos, fomentando o debate, devem ser enviados por email…)

É problema da presidenta que uma ministra sua municie a oposição com argumentos contra o governo. É problema de todos os que ajudaram a eleger a presidenta que uma ministra sua esteja indo contra o programa de governo no qual votaram. Mas, acima de tudo, é problema de quem deseja que o Brasil “continue mudando” ver que o novo MinC pensa de maneira mais velha que o antigo. Se a direção da mudança era democratizante e universalizante, a concepção da nova gestão, até aqui, tem se mostrado, nas linhas e nas entrelinhas, elitizante e particularista. E o que é pior: além de dar as respostas erradas, parece trabalhar para que não se consiga fazer as perguntas certas.
Fonte original aqui.

Escolas que já incluem música adotam estratégias diferentes

Publicado em: abril 25th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo de Cinthia Rodrigues e Luciana Cristo publicado no iG São Paulo e Paraná | 23/04/2011 07:00

Rede estadual do Paraná fez concursos para contratar profissionais capacitados, enquanto São Paulo forma professores de arte.

Apesar dos três anos de prazo para a entrada em vigor da obrigatoriedade do ensino de música, a maioria das redes ainda não fez adaptações. Gestores reclamavam da falta de diretrizes que devem ser anunciadas nas próximas semanas após reunião de representantes do Ministério da Educação com especialistas no assunto.

O Paraná é uma das exceções. Por lá o ensino de música ocorre como conteúdo incluído na disciplina de artes, que engloba também artes visuais, teatro e dança. O departamento de Educação Básica orienta o ensino da música com a formação de uma massa crítica e o contato com melodias e harmonias de diferentes culturas. Para o ensino médio, existe o Livro Didático Público de Arte com cinco capítulos referentes ao ensino de música, além do caderno de musicalização recebido pelos alunos.

Foto: Agência de Notícias do Paraná

Alunos do colégio José Guimarães sob regência da professora Silviane Stockler

No Colégio Estadual Professor José Guimarães, em Curitiba, a professora de Artes com formação em música  de Lima dá continuidade a um trabalho iniciado há dois anos que inclui teoria, marcação rítmica e à contextualização histórico-política de determinadas canções. Os alunos se sentem à vontade tocando músicas populares brasileiras nos mais variados instrumentos. “O principal é ensinar a organização do som. O objetivo não é formar um músico, mas sim que os estudantes saibam apreciar e entender. É abrir o interesse para a área musical”, explica a professora.

Os olhares curiosos e as perguntas demonstram o interesse de estudantes. Para os jovens que já tocavam algum instrumento, a empolgação é ainda maior, como no caso de Fernando Lesniowski e Brunna Karolina de Oliveira Guimarães, ambos de 16 anos. “Eu curto rock, mas a professora também já trouxe baião e samba, por exemplo”, conta Fernando. O aprendizado também é destacado por Marcelo Augusto, de 19 anos. “Já tinha contato com outros instrumentos, mas tocava apenas de ficar olhando as notas musicais. Nunca fui de ficar olhando partitura, que foi uma coisa que nos ensinaram”, disse.

Hoje, as aulas são incrementadas com instrumentos musicais fornecidos pela Secretaria de Estado da Educação. Mas os objetos não são considerados imprescindíveis.

O governo paranaense informou que desde 2003 houve três concursos públicos para contratação de professores. No entanto, não esclareceu se as contratações foram suficientes.

Na cidade de São Paulo, a música foi incluída nas orientações curriculares de 2008 contemplando ritmos regionais, afro-brasileiros e indígenas. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, até o final do ano passado 24 cursos formaram 1.006 professores em linguagem musical. Porém, a pasta não identificou um trabalho que já estivesse em andamento e servisse como exemplo a ser retratado nesta reportagem.
Há também atividades fora do horário de aula comum como bandas e fanfarras, iniciação musical e apresentações eruditas que são oferecidas nos Centros Educacionais Unificados (CEUs).

No Rio Grande do Sul, o governo anterior fez um documento por série detalhando conteúdos musicais e objetivos. A atual Secretaria de Educação, no entanto, diz que nenhuma escola de ensino fundamental e médio adota música nas aulas.

Leia o artigo na íntegra aqui.

Gravadora prevê fim do mercado de CD até 2025

Publicado em: abril 14th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo interessante publicado no site Cultura e Mercado:

Você ainda curte ouvir música no CD? Você ainda se preocupa com CDs piratas? A disputa entre os astros pela venda de CDs está com os dias contados – deu na Folha de S.Paulo e a matéria é de Julio Wiziack. Segue.

Para a gravadora Universal, a líder mundial, a comercialização dos discos acabará em 15 anos e será substituída pelo download oficial de músicas.

Segundo Simon Gillham, vice-presidente da Vivendi, grupo francês de mídia que controla a Universal, o prazo estimado pelos analistas da gravadora pode ser menor (dez anos), caso a expansão da internet supere o previsto.

Em 2010, o álbum “Recovery”, do rapper Eminem, ficou no topo das vendas nos Estados Unidos e “Take That” foi o número um no Reino Unido.

No total, Eminem vendeu 6 milhões de cópias, superando Lady Gaga, que, com “The Fame of Monster”, ficou em 4,8 milhões de discos.

O U2, que se apresenta hoje em São Paulo, prepara-se para lançar neste ano um novo álbum. Com ele, o grupo tenta voltar à lista dos cinco mais vendidos da Universal.

Em 2009, a banda irlandesa vendeu 4,3 milhões de cópias. No ano passado, ficou abaixo dos 3 milhões de cópias, perdendo lugar para Rihanna e Justin Bieber.

Para Gillham, a venda de discos é um mercado em declínio. No ano passado, a Universal faturou 2,1 bilhões nesse negócio, uma queda de 10,3% em relação a 2009. No mesmo período, as vendas pela internet (de faixas ou de discos) cresceram 7,5%, movimentando 1 bilhão -um terço de toda a receita da gravadora.

VIRADA

Nesta semana, um estudo publicado pelo instituto americano Strategy Analytics confirmou a tendência.

De acordo com a pesquisa, as vendas on-line de músicas nos Estados Unidos, maior mercado consumidor, deverão ultrapassar as de CDs em 2012, com faturamento previsto de US$ 2,8 bilhões, superando o dos discos em US$ 100 milhões.

Para Martin Olausson, diretor de pesquisa de mídias digitais da Strategy, as vendas on-line vão se expandir nos próximos anos, mas os resultados das gravadoras continuarão a cair até que elas encontrem novas estratégias de crescimento.

Lançado no ano passado, o serviço Vevo, uma parceria da Universal, da Sony, da EMI e do Google, já se tornou umas das maiores lojas de download nos Estados Unidos e no Canadá, com 60 milhões de clientes.

A loja comercializa ainda aplicativos para iPad, iPod Touch e iPhone. Além disso, há espaço para anúncios e assinaturas, duas novas fontes de receitas.

Até 2015, a Strategy prevê que o download de faixas ainda vá ser o carro-chefe, representando 39% das receitas. Mas os downloads de álbuns completos movimentarão 32% das vendas. Assinaturas e publicidade terão participação de 14% cada um.

“Com a rápida adoção de equipamentos conectados à internet, os fãs exigirão flexibilidade nas ofertas”, disse Olausson.
Fonte original aqui.

Sem baixar

Publicado em: abril 13th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo bem interessante publicado por  Tatiana de Mello Dias no jornal O Estado de S. Paulo:

Faz um tempo que a música está online. Além de comprar um CD ou baixar um arquivo, surgiu uma terceira opção: escutar um disco sem tê-lo: os arquivos ficam gravados em servidores externos. O modelo prosperou e hoje é visto como o filão mais promissor do ainda incipiente mercado de música digital.

É que, entre os modelos de consumo de música que já surgiram, o streaming parece ser o que mais deu certo. Tome como exemplo o Spotify. O site sueco criado em 2007 já é uma das maiores empresas de internet no mundo. Um milhão de pessoas foram convencidas a pagar por música – dos 10 milhões de assinantes, 10% optam pelo modelo pago. Isso só na Europa.

Por trás do Spotify está a emblemática presença de Sean Parker, um dos criadores do Napster e investidor da web – hoje talvez mais conhecido como o investidor do Facebook interpretado por Justin Timberlake no filme A Rede Social.

Ele disse em um debate no ano passado que o Spotify é uma forma de “consertar o estrago que comecei com o Napster”. “Temos de criar um novo modelo.” Para Parker, o streaming dá às pessoas o que elas querem: conveniência e acessibilidade. Ouvir música quantas vezes quiser, de graça, a partir do seu computador.

Só que o Spotify ainda não conquistou um território crucial para determinar seu futuro. Faltam os EUA. O serviço ainda não chegou a um consenso com as gravadoras para custear os direitos autorais e garantir sua legalização por lá. Mas Parker já mexeu seus pauzinhos: ele acaba de se tornar, junto a um grupo de investidores, acionista da Warner e, assim, tem voz ativa em pelo menos uma das grandes gravadoras que precisará convencer.

Google e Amazon seguem a mesma trilha. Em palestra recente, o presidente da Motorola, Sanjay Jha, deixou escapar que o Google lançará um serviço de música para smartphones e tablets. “Se você olhar para os serviços móveis do Google, há o de vídeo, há o de música, quer dizer, vai haver um serviço de música”, disse. O player para Android acaba de ser atualizado – e, na versão 3.0, o streaming ganhou o espaço mais nobre do display.

Os passos da Amazon são mais concretos. A empresa acaba de anunciar o CloudDrive, serviço online de armazenamento em que usuários podem guardar até 5 GB de conteúdo de graça e acessá-lo de qualquer dispositivo. Dá para comprar ainda mais espaço – até 1 TB. E, com ele, o CloudPlayer, aplicativo que permitirá a reprodução de músicas armazenadas ali. É possível, por exemplo, criar listas de reprodução. O CloudPlayer já está disponível para celulares Android.

No Reino Unido, a Universal deve lançar em breve um serviço streaming com a Virgin Media. “O streaming é diferente de download. Você está falando da compra de 175 milhões de músicas avulsas ao ano no mercado de downloads comparadas a 7 bilhões de transmissões de música por streaming pago”, diz David Joseph, principal executivo da Universal. “Streaming e modelos de assinatura são o futuro do negócio.”


No Brasil. Aqui ainda há poucas opções para quem que quer pagar para ouvir música em streaming. Embora o acesso ao ótimo Grooveshark seja liberado (veja ao lado), não há planos de trazer o Spotify para cá – apesar de o modelo parecer promissor para indústria fonográfica aqui.

“Nos EUA, o download unitário funciona bem por causa do iTunes. É uma solução verticalizada, mas é um player da Apple que deu certo, tem preço acessível, tudo direitinho. No Brasil, com toda a relação da cadeia de valores, o download unitário fica caro”, explica Miguel Cariello, gerente do Escute, serviço de música online da Som Livre. O site tem assinaturas que variam de R$ 5 a R$ 15 para acesso ao catálogo em streaming e download. “Ao sair do modelo de entrega de produto e passar para um modelo de serviços, chega-se a um preço mais justo para o consumidor, além de manter todo mundo remunerado.”

Carrielo não diz quantos assinantes o serviço tem. O número é baixo, diz ele, porque o serviço acabou de estrear e o consumidor ainda está “começando a entender” o modelo. “A gente ainda tem a coisa de ter a música no computador. Mas, mesmo assim, o streaming é a grande execução.” Segundo ele, 80% do público opta pelo plano de R$ 15, que permite acesso a todo o catálogo (três milhões de músicas) em streaming e download.

Além do Escute, há também o Sonora, do Terra, e sites como o Kboing, que fornecem diferentes maneiras de consumir música. Mas os dois maiores – o Sonora e o Escute – têm “uma lista grande de desrespeito ao consumidor”, segundo estudo inédito do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). O instituto avaliou os serviços Escute, Sonora e UOL Megastore (que não tem streaming) e percebeu problemas como arquivos cujo DRM bloqueia o uso após o fim da assinatura ou a transferência de arquivos do PC para o celular e a exigência do pagamento de um pacote para quem quer adquirir apenas uma música.

No entanto, acima de todos os problemas, está a propaganda que leva o consumidor a pensar que o serviço ilimitado – quando, na verdade, ele é cheio de restrições. “A propaganda é uma tentativa de retomada da indústria fonográfica, que perdeu muito por fazer essa campanha contra quem faz download”, diz Guilherme Varella, advogado do Idec. “A lei de direito autoral abre essa margem para a empresa atuar de forma abusiva”.

Parece simples: basta um modelo fácil e acessível para que a música digital vire um bom negócio, certo? Nem sempre. Boas intenções existem, mas um fator que restringe a criação de novos serviços e a universalização dos que já existem: os direitos autorais. “É trabalhoso. Lá fora todos trabalham com copyright: usa e paga. Aqui, tem de pedir autorização para depois vender. Sofremos com a burocracia”, diz Miguel Cariello, gerente do Escute.

No Brasil, a cobrança por direitos autorais é feita pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que criou, no ano passado, um mecanismo específico de cobrança pela execução e transmissão de música digital. O cálculo é trabalhoso. O Ecad tem várias tabelas para definir o valor do pagamento.

Um site como o Spotify, que tem como principal serviço a música e é lucrativo, teria de pagar 7,5% de sua renda ao Ecad por mês (o valor mínimo estipulado pelo escritório é R$ 2.348). O Spotify poderia arcar com isso; mas uma startup que esteja tateando o mercado, talvez não.
Os meios digitais representam menos de 1% da arrecadação do Ecad, mas são um dos segmentos que mais crescem. “Estamos desbravando essa área agora”, explica Márcio Fernandes, gerente de arrecadação do Ecad.

Os maiores arrecadadores na área digital são o YouTube e o Kboing, serviço de músicas custeado por publicidade. Mas o filé mignon é o acordo com o Google, firmado em 2010 e que rende ao Ecad o equivalente a 2,5% do faturamento do YouTube no Brasil.

O valor, claro, não vai para todos os músicos que têm músicas ali. O Ecad adotou uma regra de distribuição que leva em conta o número de acessos. A distribuição dos recursos é baseada nos rankings do YouTube. O Ecad definiu uma linha de corte: só é pago o artista que tiver um número de views suficiente para receber pelo menos R$ 1.

Ou seja: quem mais lucra com direitos autorais no maior acordo de música digital já firmado no Brasil é, quem diria, Justin Bieber. Os artistas pequenos não recebem nada. “A gente não tem como pagar todas as músicas”, justifica Fernandes.

Para ele, o grande passo do acordo não é a verba, mas o fato de que o Google aceitou a lei brasileira. “O Google se apropria de conteúdo, pega brechas jurídicas, e aqui entendeu que a lei é precisa”, diz. O acordo, para ele, é “um grande passo para incluir os artistas que estão de fora”. “Quem compõe com seriedade pode encarar a internet como uma possibilidade, mas é preciso se filiar e declarar as suas músicas. A gente vai aumentar os rankings”.

Um quarto do conteúdo de vídeo consumido nas casas dos EUA é via streaming. O mercado de transmissão online é promissor também para a indústria cinematográfica. Nesse cenário, seis em cada dez filmes vistos por streaming são da Netflix, que era uma locadora de DVDs via correio e hoje é um serviço com mais de 20 milhões de assinantes.

A produtora e distribuidora Miramax acaba de fechar acordo com a Netflix – estimado em US$ 100 milhões – para dispor seus filmes no site. Estima-se que a Netflix valha hoje cerca de US$ 10 bilhões; e o segundo gigante do mercado, o Hulu, US$ 2 bilhões.

Segundo a consultoria ABI Research, o mercado de vídeos online deve movimentar US$ 16,1 bilhões entre serviços pagos e publicidade.

A Amazon, que acaba de lançar um serviço de armazenamento online, apresentou sua resposta à Netflix: fornecerá filmes e programas de TV em streaming para clientes premium, usuários que pagam US$ 79 ao ano para ter acesso a 5 mil títulos.

O Google também deve entrar nesse mercado, via YouTube. Segundo o Wall Street Journal, deverão ser criados 20 canais de conteúdo exclusivo no site, com categorias como esportes e arte, com programação semanal. A ideia é que as pessoas assistam vídeos na web como fazem na TV. A empresa deve investir US$ 100 milhões no projeto.

Os serviços ainda estão distantes do Brasil. Mas há rumores de que a Netflix estaria vindo para cá. Recentemente, em seu site de oferta de empregos, a empresa avisou que está se preparando para uma “rápida expansão internacional” e exigia dos candidatos fluência em inglês e línguas como alemão, francês, italiano, japonês, coreano, português e espanhol – pistas das regiões para as quais pretende se expandir.

Fonte original aqui.

Licença para não copiar ou reproduzir!

Publicado em: abril 8th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo publicado por Paulo Roberto Elias no site Webinsider.

Métodos de proteção contra cópia continuam a ser empregados e chegam a impedir o funcionamento correto dos equipamentos.

É curioso como certos assuntos continuam recorrentes, ao invés de se tornarem esquecidos de vez. E nós agora passamos para o século 21, com vícios herdados do século passado e que parece não terem prazo para acabar.

Um deles é a guerra entre os artefatos do DRM, impostos no peito pela legislação norte-americana, e a reação das comunidades de usuários e hackers internacionais para combatê-los.

A guerra começou bem antes da era digital, e o seu objetivo era um só: impedir que os usuários finais fizessem cópia de material protegido pelo direito autoral. A legislação abre brecha para a ação antipirataria invocando que o usuário final tem direito de usar, mas não de copiar o material que ele compra. O problema é que o usuário final não é o pirata que a indústria precisa combater, e sim o duplicador ilegal em massa das fábricas de disco clandestinas.

E como chamar o usuário final de pirata é uma acusação um tanto ou quanto pesada, a reação das várias comunidades foi imediata. Justiça seja feita, a indústria de equipamentos de áudio e vídeo foi arrastada para este combate de forma compulsória, acusada certa feita de estar facilitando o processo de cópia.

No lendário processo de ação judicial Universal Studios versus Sony, conhecido como o caso Betamax, a corte americana deliberou que a cópia feita pelo usuário, para fins pessoais, não era reconhecida como crime e sim como uso legítimo e justo (o assim chamado fair use). Isto, entretanto, não impediu que as empresas detentoras de conteúdo continuassem a bombardear os diversos segmentos da sociedade com métodos diversos de proteção incluídos no programa deste conteúdo.

Uma das primeiras iniciativas nesta direção foi adotar o Macrovision, ainda em ambiente analógico, portanto a guerra continuou bem antes do conteúdo passar para o domínio digital. O Macrovision foi adotado para impedir que o usuário copiasse uma fita de vídeo cassete, e continuou no DVD, porque os estúdios tinham medo de que a imagem superior do DVD fosse usada para cópias de melhor qualidade de seus originais em fita magnética.

Leia o artigo na íntegra aqui.

O Estado da Arte

Publicado em: abril 6th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Interessante artigo publicado por Leonardo Brant no site Cultura e Mercado.

Uma das questões mais difíceis no desenvolvimento das políticas culturais é saber dosar o tamanho do Estado. Ausente, coloca o imaginário nas mãos do poder econômico, com seus enlatados e facsímiles da realidade. Em um outro extremo quer opinar, anseia mudar a sociedade (muitas vezes à despeito dela própria) a partir de uma visão particular de cultura (ou ideologia). Torna-se fascista.

Teixeira Coelho, em seu Dicionário Crítico, define políticas culturais como um conjunto de intervenções. Recentemente, ouvi o próprio autor reconsiderar essa premissa, indicando a cooperação como o caminho mais adequado para aplicar ações programáticas no campo cultural.

Cooperação é algo muito delicado, sobretudo quando praticada com dinheiro público. O investimento necessário e indispensável mistura-se facilmente no balaio do privilégio. A força (simbólica e material) do  Erário compromete sensivelmente a ação cultural “patrocinada”: cumplicidade, simpatia e adesão ideológica são moedas correntes de troca, tão intangíveis quanto a própria ação cultural. Quando a decisão de quem deve ou não receber o dinheiro cabe ao governante, ou a uma comissão definida e coordenada por ele, configura-se um balcão de negócios com o dinheiro público.

Na cultura, a função econômica se confunde cada vez mais com a função social. Já não sabemos distinguir tão claramente onde começa um e termina outro. A indústria cultural se protege por trás da contrapartida social; a arte experimental alcança cada vez mais galerias, telas e palcos comerciais; o popular e o pop são transas cada vez mais frequentes. Sincretismo cultural, político e mercadológico.

O modelo de desenvolvimento escolhido pelo Brasil de Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma é o econômico. Do neoliberal ao neossocialismo democrata, o Estado brasileiro pós-ditadura colocou arte e cultura ora como produto, ora como instrumento de conquista, reafirmação e ascenção social. Em nenhum momento, porém, chegamos perto de garantir, por força e poder do Estado, os direitos e liberdades culturais a todos os cidadãos, como quer a nossa Constituição Federal.

O povo nunca foi no Brasil o beneficiário final da política cultural. O Estado atende (como nos tempos de repressão) a clientes avulsos ou organizados. Fundos, incentivos, editais: um instrumento diferente para cada clientela, cada vez mais sofisticada e segmentada. Todos raivosos e descontentes com o cobertor curto, que não cresce na mesma velocidade dos novos mercados, criados e cultivados por vontade política do Estado. Nem mesmo o gordo orçamento do ano eleitoral é capaz de conter e atender a todas as demandas e necessidades, legítimas ou não, dessa vasta clientela.

Cidadania cultural também se faz com mercado, pois garante maior autonomia ao artista. Acesso cultural se faz sobretudo com desenvolvimento econômico e consumo. No Brasil, direitos culturais são cada vez mais garantidos com autonomia financeira e cada vez menos pela atuação direta do Estado. A este cabe apenas garantir condições de crescimento econômico.

A fusão entre cultura e mercado, forçada pela sociedade do consumo e do espetáculo (filhos perversos desse modelo de desenvolvimento), coloca a função educativa da cultura em xeque. Superar esse abismo filosófico, conceitual, estratégico, significa inverter uma lógica relacionada à formação do Estado republicado, suas elites e estamentos.

Por isso, a política cultural não pode ser pensada a partir dos setores econômicos, dos profissionais e classes organizados. E sim a partir de uma nova concepção de Estado, que atenda aos interesses maiores de formação do povo brasileiro, que precisa ser municiado de referências, valores éticos, olhares críticos e diversificados da realidade, do passado, presente e futuro.

Fonte original aqui.

O “pulo do gato” para a sua banda.

Publicado em: abril 5th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Artigo publico por Sergio Filho no site Overdubbing:

Às vezes, me perguntam sobre a coerência de uma banda de rock (ou qualquer outro estilo) ao vivo. Coisas do tipo “como conseguir deixar o som ‘redondo’?”. Por isso, trago nesse artigo uma abordagem a que me dei o direito de chamá-la “o pulo do gato“.

Quem já está nessa vida de banda há algum tempo sabe o quanto é difícil encontrar os integrantes certos. Aqueles caras (ou, mais comum hoje em dia, meninas) que fazem a diferença no som. Além disso, têm que ser bons de convivência e pensar na mesma direção. Ora, tanta gente passa a vida inteira dando com a cara na parede por causa de seus relacionamentos a dois (não só amorosos, como também entre pais e filhos, patrão e empregado, etc.), o que dirá em um relacionamento a quatro/cinco!? Muitas bandas famosas, inclusive, já sofreram desse mal (quem nunca viu, assista Some Kind of Monster, do Metallica).

Indiscutivelmente, leva-se tempo para se conhecer bem o indivíduo que está pegando a estrada com você, mas isso não é motivo para neuroses do tipo “não confio em ninguém”. É apenas uma questão de tranquilidade e transparência nas suas relações.

Mas, voltando ao âmbito pragmático, onde quero chegar é nos ensaios. Tocar as mesmas músicas por longos períodos (às vezes muito longos mesmo) pode ser chato. Você não vê mais para onde aquilo pode evoluir. Mas é aí que mora o “pulo do gato“. Existem basicamente três estágios no aprendizado musical em banda (isso eu digo por experiência, e não por nenhum estudo científico sobre cognição cerebral). O primeiro é aquele em que você precisa tocar prestando muita atenção naquilo que está fazendo. Esse é o ponto em que se faz o arranjo da música, se for própria, ou se “tira” o cover. Aqui, você ainda não está familiarizado com a parte técnica da execução da música. Se você é guitarrista, erra um acorde, esquece uma parte da música, “capa” um solo. Se você é baterista, esquece um bumbo aqui, outro ali, sai do tempo um pouquinho. Se você é baixista, provavelmente vai se enrolar naquele “groove” mais safado. Se você canta, fatalmente vai esquecer a letra.

Depois de muito ensaiar, todo mundo começa a tocar direito a música. Este é o segundo estágio. Aqui, todo mundo acha que já está bom. Nunca parece melhorar muito mais. Você já até se balança tocando. E aqui, muita gente para de buscar a evolução. Acontece que não basta dominar tecnicamente aquilo que se toca. É preciso fazer parte daquilo, incorporar a música. Mesmo se você é um sideman, e nem curte tanto aquilo que está tocando, é preciso estar 100% presente e íntegro. Afinal, se você é músico, deve ter escolhido essa profissão porque ama, certo? Se quisesse ganhar dinheiro, é fato que não estaria buscando isso nesta área…

O terceiro estágio é aquele em que a música passa por dentro de você. Você a respira e transpira. Você não vai mais errar nenhum acorde porque simplesmente nem vai pensar qual acorde está tocando. Ele simplesmente aparece montado no braço da guitarra na hora certa. É aí que você alcançou o “pulo do gato“. Uma boa maneira de comprovar isso é quando você se pega há muito tempo sem tocar aquela música e, no entanto, na hora do ensaio, sai tudo perfeitinho. Não é lindo?

A dica é: mantenha-se presente naquilo que você faz (isso se estende pra tudo na sua vida, ok?). Aproveite aquele exato segundo em que você toca aquela nota. Faça mesmo como se não houvesse nada depois nem tivesse havido nada antes, porque de fato não há. O passado já passou, o futuro nem chegou. Nem um segundo antes, nem um segundo depois. Somente no agora! Ao alcançar esse estágio, você vai perceber como misteriosamente a sua banda soa verdadeira, “redonda” e com toda a energia necessária para tocar qualquer um que esteja na plateia!

Fonte original aqui.

Os sinais de uma cultura no vermelho

Publicado em: abril 4th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Matéria publicada no jornal Valor online esclarece como será o ano para o setor cultural brasileiro:

“Enquanto a polêmica em torno da reforma dos direitos autorais tomou os holofotes nos primeiros meses de Ana de Hollanda à frente do Ministério da Cultura (MinC), paulatinamente a saúde financeira da pasta chama a atenção como preocupação da nova administração. De um inédito orçamento estipulado em R$ 2,1 bilhões pela Lei Orçamentária de 2011, houve redução de R$ 766 milhões em razão de veto presidencial e contingenciamento. Para completar, de acordo com o secretário-executivo do MinC, Vitor Ortiz, os restos a pagar deixados pela gestão anterior somam R$ 450 milhões. “Será um ano apertado, de organização da casa, ajustes e avaliação dos programas e processos futuros”, afirma Ortiz. “Em um ano difícil como esse, estamos orientando nossos secretários a realizar planejamentos a longo prazo, pensando nos próximos quatro anos.”

Fonte original aqui.

Um papo com Leo Morel sobre música, tecnologia e futurologia

Publicado em: abril 4th, 2011 por Leo Morel | Nenhum comentário

Saiu essa entrevista feita comigo a respeito do meu livro para a revista Monotipia:

MONOTIPIA: O que o levou a pesquisar os impactos das tecnologias na música?

Leo Morel: entre os anos de 2008 a 2010 cursei a pós-graduação em gestão cultural na Fundação Getúlio Vargas. Lá, tive contato com pessoas ligadas a isso, artigos, livros, sites sobre o assunto. Daí, vi que já existia muito material falando sobre o assunto, mas o foco era muitas vezes a pirataria, crise na indústria fonográfica, etc. Vi que faltava algo que focasse a visão do músico, daquele que faz música e vive dela. Então fiz esse trabalho focando a visão do profissional da musica e demais agentes ligados a ele.

MT: Como o modus opeandii da produção musical tem de se reconfigurar mantendo-se viável em ambiente de informação – teoricamente – livre?

LM: aquele mundo que nós conhecemos que um artista tinha de procurar uma gravadora para gravar e poder expor suas músicas acabou. Hoje em dia está muito mais fácil produzir e distribuir a música, a questão é que a forma de se consumir musica também sofreu grandes alterações e com isso alguns agentes como as gravadoras, perderam um pouco seu poder de barganha, enquanto que surgiram outros. Temos alguns exemplos dando certo aqui no Brasil, como a banda Forfun, por exemplo, que vem crescendo gradativamente, fazendo cada vez mais shows pelo país por conta de terem distribuído gratuitamente seu disco em seu site oficial. Não existe uma fórmula exata como se trabalhar hoje em dia nisso. Percebo que as estratégias são distintas, mas muitas vêm dando certo. O cantor Leoni é outro que vem tirando proveito da tecnologia disponível hoje em dia a seu favor.

MT: Esse modelo de negócio adotado pela banda Forfun é o exemplo do que muitos afirmam, que “o artista vive de show, não de venda de cd”? Esse relacionamento, seja presencial, seja virtual, mas ainda direto, com o consumidor de música é o que está sendo redescoberto?

LM: Na minha visão isso é a realidade atualmente. Enquanto que o CD vem sendo cada menos valorizado pelos consumidores, vemos que o mercado de shows de pequeno, médio e grande porte no Brasil vem crescendo cada vez mais.

MT: Você entende essa desvalorização das mídias físicas como um efeito colateral de meios como o youtube, por exemplo, que valorizam o acesso sem nenhum juízo de valor sobre o conteúdo?

LM: Eu vejo a desvalorização do CD como um fenômeno natural diante da portabilidade que produtos como iPods e celulares proporcionaram ao mercado consumidor.

MT: Entendo. os cds são portáteis, mas a música neles não necessariamente, por questões do tamanho e autonomia da fonte de energia do aparelho que o lê.

LM: Os cds são portáteis sim mas e se você quiser levar uns 300? Daí isso já gera um volume considerável, não? Dentro de um iPod e celular cabem muito mais. Vejo isso como uma questão prática.

MT: Em seu livro, você aponta uma série de mudanças tanto no que tange a produção quanto as concepções estéticas na música, alavancadas não só por um maior acesso à tecnologia, mas pela qualidade dessa tecnologia além da capacitação de quem a opera. Você entende que essa relação entre a qualidade do resultado está irreversivelmente atrelada à qualidade tanto da ferramenta quanto a do seu operador?

LM: sem duvida, não adianta ter ferramentas úteis disponíveis no dia de hoje se não tem alguém capacitado para operá-las. Os meios digitais de gravação e produção musical proporcionaram um universo praticamente ilimitado de variáveis para se explorar. Com isso, caso a pessoa que irá operá-la não dominar esse conhecimento, as chances de se ter resultados fracos é bastante grande.

Vale ressaltar que com a facilidade de acesso a esses meios de produção o número de pessoas fazendo musica aumentou muito e, com isso, também aumenta o número de material mal produzido.

MT: Há uma tendência de que, nos próximos anos, os meios de produção se tornem “intuitivos”, no sentido de que a lógica de operação de uma dada ferramenta não requeira tanto uma formação técnica de quem produz música, mas “feeling”, além de voz e/ ou acuidade com seu instrumento. Esta tendência, suponho, apontaria o uso do protools e ferramentas similares como mais que uma forma de… ahn… “fabricar” um trabalho ao invés de contruí-lo?

LM: Penso que se for para usar a tecnologia para produzir música de qualidade, que agrade um determinado público e gere trabalho para os profissionais da música, pode ser válido. Mas defendo que nada irá substituir a execução ao vivo de uma banda e/ou artista. Podem usar o que for pra fazer um disco “fake” até, mas no palco não dá pra enganar, entende?

MT: Em seu livro, você fala do mau uso da tecnologia, com “micreiros”, não necessariamente sem formação técnica, inseridos no ambiente de produção musical de forma predatória, transformando um ambiente de trabalho num de subemprego. Até que ponto se estende o impacto desses indivíduos no meio de produção musical?

LM: Penso que a tecnologia está mais acessível a todos e com isso mais pessoas se inseriram nesse meio. Mas os bons profissionais, aqueles diferenciados, sempre continuarão trabalhando. Acho que o canal está aberto para qualquer um e isso é fantástico, pois até o final do século passado esse meio de produção era muito restrito.

MT: Você vê alguma mudança concreta na postura das gravadoras?

LM: Acho que elas perceberam que o CD já não é mais atrativo ao consumidor como foi e que a venda desse produto não pode ser mais vista como meta principal daqui pra frente. Porém, vejo que o mesmo modelo que existia no passado das “gravadoras – jabá – rádio” ainda continua operando firme e forte.  Durante o século XX as gravadoras foram responsáveis pela criação e implementação de tecnologias como o toca disco, fita cassete, etc. Porém, eles pararam no CD. Enquanto que o setor da computação evoluiu. Eles ficaram parados no tempo.

MT: As gravadoras pararam nos CDs, mas as vendas de arquivos de música para nossos tocadores de mp3 continua “de vento em popa”, orientados pela fórmula gravadoras – jabá – rádio. Suponho velho negócio se descolando das mídias físicas.

LM: hoje em dia existem diferente suportes para se consumir música. E o que estiver ao alcance desses agentes para estimular a venda de seus produtos (jabá), eles o farão.

Muitas pessoas acham que hoje em dia tudo mudou e nada mais era como foi antigamente.

Discordo.

Mudou o suporte, a tecnologia. Mas no Brasil a TV e o rádio ainda são de extrema importância na cadeia produtiva da música e o acesso a esses meios sempre foi muito restrito.

MT: Então você entende que se uma real mudança ocorrer, o deslocamento desses meios (TV e rádio), além de seu conteúdo em outras formas, para a internet, essa mudança não será reconhecida como tal, talvez pelo conteúdo estar lá há tempo suficiente para que o ambiente lhe seja familiar?

LM: Vou esperar pra ver isso acontecer. Tenho minhas dúvidas se esses meios irão migrar para a internet, não vejo esses veículos como sendo excludentes, entende? Acho que todos continuarão existindo, até que se prove o contrário. O radio, por exemplo, já teve sua morte decretada várias vezes ao longo da sua história, como na época do surgimento da TV, etc. Hoje em dia ele continua firme e forte e eu realmente duvido que a internet vá engolir esse veículo. E quanto a TV, a mesma coisa. O Brasil é um país muito ligado a TV.

Link da entrevista aqui.